terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Quem muito ri em um dia, chora em outro

Quando eu era criança, minha mãe usava uma frase que ela sempre dizia quando eu e meus irmãos ficávamos brincando e rindo muito: "quem muito ri em um dia, chora em outro". Uma frases boba, muito provavelmente falada em momentos em que nós três extrapolávamos nas brincadeiras e acabávamos atrapalhando de alguma forma.
Quando meu namorado ouviu essa história ele me disse que então entendia o porque eu sempre achava que algo de muito ruim aconteceria comigo. Eu, psicóloga, que já havia feito terapia por algum tempo, em nenhum momento tive esse insight. Apesar de saber que o objetivo da minha mãe ao falar essa frase não era esse, eu percebi o quanto efeito essas simples palavras fizeram no meu desenvolvimento emocional.
Toda vez que eu percebo que as coisas estão calmas, que está tudo bem, meu coração já se agita esperando que algo muito ruim vai acontecer, ou algo que, nem é tão ruim assim, mas que minha ansiedade percebe como ameaça e que vai me desestruturar de alguma forma. Inevitavelmente, algo realmente acontece. Então eu penso: "ah lá! não falei que ia acontecer".
Mas aí que vem o pulo do gato, algo sempre vai acontecer! A vida não é linear! Todo mundo tem altos e baixos, todo mundo passa por situações que nos abalam emocionalmente. Então é óbvio que meu medo de ameaças vai se concretizar, mas não porque eu estava feliz em um dia, sorrindo muito e despreocupada, não porque eu baixei a guarda, simplesmente porque é assim que é! Estamos aqui, nesse mundo, para isso mesmo, sem essas frustrações não amadurecemos.
Essa pequena revelação me faz tirar duas conclusões: o quanto temos que tomar cuidado com o que falamos, principalmente em relação às crianças e o quanto temos certezas absolutas, que estão totalmente erradas, enraizadas dentro da gente e nós ficamos repetindo-as sem saber o motivo.

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